Convite Exposição RARET

19/08/13

Sábado dia 24 de Agosto, pelas 17h no Museu Etnográfico da Glória do Ribatejo, inauguração da exposição "RARET". Apareçam

Exposição "RARET"

14/08/13

Este ano a exposição temática organizada pela Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo é dedicada à RARET.

Exposição 2013 - A RARET

06/06/13


A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, vai organizar uma nova exposição que vai inaugurar em Agosto por altura das Festas da Glória. A temática da exposição é dedicada à RARET.

Em 1951 é instalado na Glória do Ribatejo, o maior complexo emissor europeu da «Rádio Europa Livre» - A RARET: RAdio RETransmission, que tinha como principal função transmitir através de ondas de rádio o denominado «American way of life», para os países de Leste.

A Glória do Ribatejo era à época uma pequena aldeia rural, possuía uma posição geográfica privilegiada, estava situada apenas a cerca de 70km de Lisboa, era uma zona de baixo-relevo, óptima para a transmissão de ondas de rádio e acima de tudo devido ao seu isolamento provocado pela falta de uma eficaz rede viária, era um local discreto que não chamava a atenção, reunia as condições para a instalação deste posto de retransmissão.

A RARET foi uma instituição que muito contribuiu para o progresso social, cultural e económico da Glória. Empregou mão-de-obra local, desenvolveu esforços para a instalação da rede eléctrica e de água, asfaltou a estrada de ligação à Glória, cooperou para a criação da Junta de Freguesia, doou terrenos onde se edificaram por exemplo a Casa do Povo ou a Junta de Freguesia, auxiliou pobres e os mais carenciados com a distribuição de um bodo pelo Natal, construiu um posto médico onde gerações e gerações de glorianos nasceram, edificou a escola industrial, que permitiu que muitos glorianos prosseguissem o estudos

Numa época marcada pelo confronto de dois blocos ideologicamente distintos e opostos, Americanos e Soviéticos entretinham-se a divulgar a sua ideologia e propaganda política. No meio destas colossais potências, estava a Glória do Ribatejo que teve um papel importante e determinante neste conflito da guerra fria que marcou o século XX.

A exemplo dos anos anteriores, a ADPEC solicita a melhor colaboração na cedência de objectos, materiais ou objectos ligados à RARET. Para mais informações contactar: robertocaneira@hotmail.com



A vindima

21/05/13


A vindima é actualmente o único tipo de trabalho que mobiliza grandes ranchos de mulheres glorianas. As fotos que foram incluídas na exposição foram tiradas na Rodrifrutas que tem propriedades no Cadafais (Alenquer).
Um agradecimento especial à Carla Pirralha pela ajuda na recolha destas fotografias.



Painel A apanha do tomate

19/05/13


A apanha do tomate também é abordado na exposição.
Trata-se de um tipo de trabalho que mobilizava grande mão-de-obra gloriana, nomeadamente mulheres e alguns jovens que aproveitavam as férias do Verão, para “trabalhar à caixa” e assim amealhar algum dinheiro. Era trabalho feito manualmente que exigia grande esforço, contudo a partir de meados da década de 90, a mecanização da apanha do tomate, vai reduzir drasticamente os ranchos de mulheres.





 

4.º Painel – O ciclo do arroz. A Glória do Ribatejo e o Júlio Pomar

15/05/13





 

Na década de 50 vários artistas e intelectuais neo-realistas, guiados por Alves Redol visitaram as lezírias ribatejanas, para observar os trabalhos nos arrozais. Esta experiência artística ficou conhecida como “O Ciclo do Arroz”, na qual participaram Alves Redol, Júlio Pomar, Cipriano Dourado entre outros.

Nestes arrozais encontravam-se trabalhadores glorianos que inspiraram o artista Júlio Pomar, que realizou várias pinturas tendo como base as glorianas que estavam nos arrozais.

As fotografias tiradas nesta altura e que serviram de apoio e inspiração a Júlio Pomar, atestam que são trabalhadores da Glória do Ribatejo.

3.º Painel – Os ranchos de trabalho


Grupo de mulheres com enormes sacos que continham o avio para as semanas de trabalho e homens com os alforges ao ombro, amotinavam-se no centro da Glória, e partiam a pé para os campos dos grandes proprietários agrícolas, que ficavam localizados na lezíria de Vila Franca de Xira, Almeirim, Foros de Benfica, entre outros locais.

A aldeia nesta altura ficava com uma aparência estranha de quase abandono, apenas ficavam os idosos já gastos para o trabalho, crianças de terna idade que ainda não tinham idade nem corpo para trabalharem, e os cingeleiros que constituíam uma classe à parte, com as suas juntas de bois trabalhavam para si.

Durante a sua estadia fora da terra ficavam alojados num quartel para trabalharem do nascer ao pôr-do-sol. A grande exigência dos ranchos da Glória era terem um quartel separado dos outros ranchos.

Quando ficavam nos campos, o único contacto que tinham com a Glória do Ribatejo, era feito por mantieiras. Eram mulheres destacadas para virem à Glória, cuja missão consistia em entregar a “jorna” aos familiares e “aviar o farnel” para levar. Na volta levavam também notícias dos familiares e uma ou outra novidade que tinham ocorrido na sua ausência.



                                          Rancho do Ti Xandrão
Rancho do Lopes e Lima

2.º Painel – A apanha de trabalho

14/05/13


A apanha do trabalho, fazia-se na Praça (actual Largo 29 de Agosto). Grupo de mulheres e homens e por vezes crianças, esperavam pelos capatazes dos grandes proprietários, que apresentavam as condições de trabalho, em que os primeiros, ofereciam a sua força de trabalho, e os segundos pagavam-lhes o salário ou jorna. Trata-se de um sistema com algumas reminiscências do feudalismo medieval.


                                   A praça e a apanha do trabalho

Muitos não concordavam com o preço, mas a falta de trabalho obrigava-os a deixarem a Glória e a partir para os campos para trabalhar do nascer ao pôr-do-sol.
A celebração deste contrato de trabalho era feita de forma verbal e selava-se com uma molhadura, para os homens vinho e para as mulheres linhas de várias cores para bordarem.



                             Homens nas "molhaduras", junto de antigas tabernas

1.º Painel – A Glória do Ribatejo e a agricultura


O painel que inaugura a sequência da exposição, trata a questão da relação da terra e dos glorianos, onde merece destaque a outorga da carta de privilégios do rei D. Pedro aos moradores de Santa Maria da Glória:

«Constituíram-se então as primeiras cabanas com a madeira colhida nas matas e com os arbustos lenhosos da charneca, lavrando-se ao longo dos tempos, as primeiras jugadas (…). A facilidade de captação de água e a abundância de pastagens primitivas atraíram os íncolas, que viviam nas proximidades entregues à pastorícia como se infere.»(Margarida Ribeiros, Estudos sobre Glória do Ribatejo, Cadernos Culturais n. 3, Glória do Ribatejo, Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, 2001, p. 49)

 
                             Carta de Privilégios doada aos moradores de Santa Maria da Glória
                                      Processo dos Baldios da Glória, realizados em finais do séc. XIX
 
A carta de privilégios concedida aos moradores de Santa Maria da Glória potenciou o desenvolvimento agrícola, assim como a exploração dos recursos naturais existentes, como a lenha, a cortiça, o mel ou a caça. Trata-se de uma agricultura apenas de subsistência.

Outro assunto abordado trata a questão dos aforamentos. Em meados do séc. XIX a Junta de Paróquia de Muge, iniciou o processo de aforamentos dos baldios. Era nestes terrenos que os glorianos pastavam livremente os seus gados, o que os levou a amotinarem-se contra estes aforamentos:

                                   Mapa com os terrenos para aforamento
Apesar da redução drástica dos baldios para pastarem os seus gados, os aforamentos trouxeram melhorias aos moradores da Glória. Graças a este sistema de enfiteuse, muitos conseguiram comprar pequenos “foros”, que foram profusamente cultivados, com produtos usados no dia-a-dia para a sua subsistência. Alguns “foros” tornaram-se fonte de rendimentos nomeadamente as parcelas de terreno que tinham sobreiros e o consequente lucro da venda da cortiça.